
ENSINANDO LIMITES CORPORAIS: Aumentando repertórios de prevenção ás violências
Pessoas com deficiência têm um risco aumentado de experienciar diferentes tipos de violência ao longo da vida. O que reafirma a necessidade de pensarmos e divulgarmos conteúdos e práticas que promovam a prevenção de todo e qualquer tipo de violência para essa população.
Mas e pessoas com maiores comprometimentos intelectuais, cognitivos e de linguagem?
A seguir trarei alguns exemplos de objetivos de ensino, que isoladamente, podem parecer sem conexão com o tema discutido aqui, porém, há de se compreender o ensino numa perspectiva behaviorista radical, analítico-comportamental.
Ao analisar comportamentos que podem auxiliar na segurança e prevenção, devemos realizar uma extensa análise de tarefas, a fim de decompor tais habilidades em pequenas partes permitindo dessa forma a composição do ensino individualizado para cada pessoa, a depender do seu repertório, formas e velocidade de aprendizagem, preferências, ambiente social e cultural, etc.
Mas antes de adentrar nessa breve lista, saliento a importância de desde cedo ter parte do foco do desenvolvimento voltado a ensinos que promovam autonomia e empoderamento dessas pessoas (ex.: saber higienizar suas partes íntimas, usar o banheiro, vestir-se, reconhecer o que gosta…) bem como o olhar atento às formas de comunicação,
é parte da dignidade dela enquanto ser humano (ex.: ela sabe dizer não? sabe sinalizar quando algo ruim aconteceu? sabe dizer o que gosta e não gosta?…).
A lista abaixo não é uma fórmula pronta, são apenas alguns objetivos de ensino que podem auxiliar vocês (pessoas autistas, mães, professoras, terapeutas…):
- Identificar e diferenciar locais/ambientes públicos e privados – esse ensino pode ser feito por pareamento e categorização, utilizando-se de recursos visuais;
- Relacionar comportamentos/ações com ambientes – que ações combinam com quais ambientes – esse ensino pode contar com inúmeros recursos a depender do aprendiz;
- Reconhecer o que são chamadas partes íntimas – identificação e nomeação – podem ser usados pareamentos, seguimento instrucional, imitação, além de recursos como bonecos, figuras, desenhos, vídeos, etc. (atenção especial para nomenclaturas coerentes com a cultura do aprendiz);
- Diferenciar e respeitar o espaço pessoal e individual seu e dos outros – aqui temos um ponto delicado socialmente, pois muitas vezes o espaço pessoal das pessoas com deficiência não é respeitado, entendo que este ensino (não só ele) deveria ser feito em grande escala.
- Identificar relações pessoais com contato físico íntimo e nudez – ex.: quem pode, o que, quando/qual contexto…;
- Identificar situações de perigo – esse ensino pode ser por regra arbitrária, ex.: estranho entra no banheiro comigo; motorista da van mostrou parte íntima…
- Saber comunicar perigo e pedir ajuda – garantir ensino na forma de comunicação mais fácil para a pessoa, figuras de referência individuais e generalistas…
Por fim, vamos refletir, estamos ensinando nossos clientes, filhos e alunos que o NÃO deles deve ser respeitado?

Barbara Moreno de Araújo
Psicóloga, Analista do Comportamento
Mestra em Análise do Comportamento Aplicada – Instituto Par
Esp. em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Atrasos no Desenvolvimento Intelectual e de Linguagem – UFSCar
Psicóloga na TEAjudo
CRP 06/127360