É comum que cheguem até nós, na clínica, relatos de pais e responsáveis dos clientes que, com uma rotina bem definida, seus filhos ficam mais tranquilos, colaborativos com as atividades propostas e até mais seguros. Isso, por conta da previsibilidade que a rotina proporciona. Não é coincidência, é ciência do comportamento.
A rotina não é somente uma questão de organização, mas um fator essencial para a aprendizagem e regulação emocional. Vamos, então, entender a importância dela para as pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
De modo geral, a pessoa com TEA apresenta dificuldades em lidar com mudanças inesperadas no ambiente. Diante de situações instáveis, comportamentos difíceis podem surgir, como:
• Resistência ou comportamentos de oposição ao que está sendo proposto;
• Aumento de estereotipias;
• Choro ou maior irritabilidade, entre outros comportamentos que sinalizem desconforto ou tentativas de autorregulação.
Do ponto de vista comportamental, isso acontece pela falta de clareza sobre o que acontecerá em seguida e sobre o que é esperado em determinada situação. Sendo assim, a rotina tem um papel de dar previsibilidade, reduzindo a ansiedade e aumentando a sensação de controle.
Então, quando o ambiente é previsível, é possível que a pessoa com TEA:
• Esteja apta a aprender e processar melhor as novas informações do ambiente;
• Apresente maior emissão de comportamentos adequados;
• Diminua a necessidade de comportamentos desafiadores como forma de comunicar uma insatisfação.
Vale lembrar que: ROTINA NÃO É RIGIDEZ. O objetivo não é reforçar padrões de rigidez cognitiva ou comportamental, mas sim oferecer uma base segura para que, gradativamente e através de treino, ela consiga tolerar mudanças. Como um passo a passo. Primeiro ensinar com previsibilidade e depois o ensino da flexibilidade de forma gradual, planejada e individual, pensando em cada caso.
Letícia Rocha
Psicóloga Infantil na TEAjudo
CRP:06177000


